Última atualização: 27/08/2026 às 11:09:00
Visitas de crianças a órgãos da Justiça não são novidade no Brasil, mas o formato criado pela Justiça Federal na Paraíba (JFPB) traz um jeito próprio de conduzir essa aproximação. Nesta terça-feira (25), no edifício-sede da JFPB, em João Pessoa, em vez do tradicional passeio guiado, a instituição apresentou uma experiência lúdica, construída como uma missão para despertar a curiosidade das crianças. Ao todo, 83 alunos do 4º ano do ensino fundamental do Colégio Evolução se tornaram "Agentes da Cidadania" por um dia, munidos de um passaporte próprio adesivao a cada etapa cumprida, como uma forma de tornar concreto e divertido um universo que, para muitas crianças, ainda é abstrato. A ação integra o projeto "Conhecendo a Justiça" e marca a primeira vez que a instituição recebe crianças em visita, depois de já ter recebido estudantes universitários em outras ocasiões.
Logo na chegada, no auditório, as turmas assistiram a um vídeo de abertura que explicava a dinâmica da visita: as crianças foram convidadas a assumir esse papel de “Agente da Cidadania” por um dia, com a tarefa de observar, perguntar e descobrir como funciona a JFPB e qual o seu papel na garantia da justiça e do respeito entre as pessoas. O vídeo orientou também sobre o uso do passaporte, reforçando que cada parada do percurso renderia um adesivo, guardado como registro da experiência.
A partir dali, o prédio-sede virou cenário de missão: seis estações (Seção de Segurança, CEJUSC, Biblioteca, Memorial, Sala de Audiência e Salão Nobre) funcionaram como fases a serem cumpridas, cada uma rendendo um selo no passaporte do agente.
Manhã e tarde
Os estudantes foram divididos em dois turnos. Pela manhã, a abertura contou com as falas do juiz federal Rodrigo Cordeiro e do diretor do Núcleo de Administração da JFPB, José Carlos dos Santos Filho, que explicaram às crianças, com alusões a realidades familiares ao universo infantil, como funciona o Poder Judiciário. À tarde, o grupo foi recebido pela juíza federal Adriana Nóbrega, e também pelo diretor do Núcleo de Administração.
Ao longo do percurso, os alunos conheceram o trabalho da Polícia Judicial e o sistema de monitoramento da JFPB, que cobre as cidades de João Pessoa, Campina Grande, Guarabira, Patos, Sousa e Monteiro. No CEJUSC, o setor de conciliação apresentou às crianças, de forma lúdica, o conceito de acordo e justiça restaurativa. Na Biblioteca e no Memorial, os estudantes conheceram a história da instituição — incluindo a trajetória do desembargador federal emérito Ridalvo Costa, — e viram como os processos, antes de papel, hoje são totalmente digitais. Já na Sala de Audiência, aprenderam sobre o uso da toga e o funcionamento de uma audiência, com direito a martelo batido pelas próprias crianças. Depois, os alunos seguiram para o Salão Nobre, última parada do percurso, onde conheceram um pouco da história dos magistrados e magistradas que marcaram a trajetória da JFPB.
Repercussão
Para a coordenadora pedagógica do Colégio Evolução, Raquel Queiroz, a experiência complementa o estudo dos três poderes desenvolvido em sala de aula neste ano, com foco no Judiciário. "A grande importância, em primeiro lugar, é que se destaque uma profissão diferente do que eles estão acostumados (...) trazê-los pra cá, eles terem essa imersão e uma aproximação realmente com o judiciário vai fazer com que eles despertem para profissões tão lindas que eles nem têm esse conhecimento, passam a admirar e depois começam a sonhar em ser um futuro juiz federal", disse.
As crianças também aprovaram o passeio. Júlia Rigão contou que gostou muito da visita e destacou a biblioteca, com suas estantes deslizantes, como o momento mais marcante. Ana Cecília Dahia disse ter gostado de conhecer o que a Justiça faz — "ajudar a resolver conflitos", resumiu. Já Manuela Rodrigues avaliou a visita como "maravilhosa" e comentou da alegria de ter revisitado o local de trabalho do pai.
Ao completarem os seis selos do passaporte, os alunos receberam um certificado de “Agente da Cidadania”, que traz a mensagem de que deve ser guardado como registro do dia e, quem sabe, apresentado como recordação caso um dia venham a integrar os quadros da Justiça Federal. As crianças também puderam fazer fotografias usando a toga e o martelo.